Não, não há provas de que o CBD puro cause dependência. AOMS analisou a questão e não encontrou relatos de abuso ou dependência. Ainda assim, recomenda-se precaução com produtos não conformes, com rótulos incorretos ou que contenham THC ou outros canabinoides. A seguir, provas e conselhos práticos.
Resumidamente:
- O CBD puro não foi associado a casos de abuso ou dependência, de acordo com o comité da OMS, que recomenda não o classificar como uma substância controlada.
- A diferença entre o CBD e o THC explica porque é que apenas o THC apresenta um risco de dependência devido à sua elevada afinidade pelos recetores CB1 no cérebro.
- Os efeitos secundários comuns do CBD incluem fadiga, sonolência, problemas digestivos e modulação da atividade hepática, especialmente em doses elevadas.
- A maioria dos casos de intoxicação notificados envolve produtos de CBD contaminados ou que contêm THC não declarado, e não apenas CBD.
- O uso diário de CBD não é automaticamente um sinal de dependência, mas deve estar atento a sinais de perda de controlo ou efeitos negativos.
Índice
- O que dizem a OMS e a literatura clínica sobre o potencial aditivo do CBD?
- Porque é que confundir CBD e THC distorce o debate sobre a adição?
- Quais são os riscos reais dos produtos de CBD disponíveis comercialmente?
- O uso diário de CBD indica dependência?
- Como reduzir os riscos associados ao CBD no dia-a-dia
- Responsabilidade e transparência: a nossa posição sobre o CBD
- Fontes
- Perguntas frequentes
O que dizem a OMS e a literatura clínica sobre o potencial aditivo do CBD?
O comité de peritos da OMS em matéria de toxicodependência avaliou o CBD em 2018. A sua conclusão é clara.
Não foram identificados relatos de casos de abuso ou dependência associados ao uso de CBD puro.
A OMS recomenda que as preparações compostas quase exclusivamente por CBD não sejam sujeitas a controlos internacionais de narcóticos. Ensaios clínicos controlados em humanos confirmam esta tendência: nas doses estudadas, os níveis de procura de efeito ou de desejo de consumo mantêm-se próximos dos de um placebo.
Os ensaios não demonstraram um forte potencial de abuso do CBD nas doses testadas, embora tenham sido documentados efeitos adversos dose-dependentes. Em estudos pré-clínicos, alguns estudos com animais observaram uma ligeira modulação da dopamina, um mecanismo associado aos circuitos de recompensa. Este sinal merece atenção, mas não constitui prova de dependência em humanos: trata-se de uma linha de investigação, não de uma descoberta clínica estabelecida. Os próprios autores destes estudos defendem a necessidade de mais investigação para esclarecer as verdadeiras implicações destas observações, particularmente em doses muito elevadas ou com uso prolongado.
Porque é que confundir CBD e THC distorce o debate sobre a adição?
A canábis e o CBD não se comportam da mesma forma no cérebro, e esta diferença explica grande parte da confusão pública.
- O THC liga-se fortemente aos recetores CB1, o que desencadeia o efeito psicoativo e ativa os circuitos de recompensa ligados à adição.
- O CBD tem uma baixa afinidade por esses mesmos recetores, o que limita o seu potencial aditivo direto.
- Esta diferença farmacológica explica porque é que a canábis rica em THC apresenta um risco de dependência que o CBD por si só não reproduz.
- No entanto, o CBD pode alterar os efeitos do THC ou de outras substâncias quando consumido em combinação, um ponto a ter em conta para quem mistura produtos.
Confundir as duas moléculas é como julgar um alimento inteiro com base apenas num dos seus componentes. A composição real do produto, muito mais do que a palavra "cannabis" no rótulo, é que determina o risco.
Quais são os riscos reais dos produtos de CBD disponíveis comercialmente?
O CBD puro apresenta, geralmente, um perfil de tolerância favorável, mas nem todos os produtos disponíveis comercialmente são equivalentes.
- Sonolência, fadiga e problemas digestivos, como diarreia, estão entre os efeitos secundários mais frequentemente reportados.
- Em alguns estudos, observou-se uma elevação das enzimas hepáticas, justificando a monitorização em caso de utilização prolongada ou doses elevadas.
- O CBD inibe certas enzimas hepáticas (CYP3A4, CYP2D6, CYP2C19), o que pode aumentar a concentração plasmática de medicamentos como o clobazam.
- Estas interações requerem especial atenção em pessoas submetidas a tratamento antiepilético ou qualquer outro tratamento crónico.
A ANSES reportou um aumento de casos de intoxicação associados a produtos de CBD que contêm outras substâncias, incluindo THC não declarado ou canabinóides sintéticos como o HHC ou o HHC-O. Estes casos não envolvem CBD puro, mas sim produtos mal utilizados ou com controlo inadequado. A ANSMconfirma que não existem evidências clínicas formais que demonstrem o potencial de dependência do CBD, reiterando, no entanto, que o risco de perturbação por uso de substâncias não pode ser completamente descartado e que certos sinais pré-clínicos ainda têm de ser confirmados em humanos. Qualquer reação invulgar justifica uma consulta médica ou a notificação às autoridades de saúde competentes.
O uso diário de CBD indica dependência?
O uso diário de CBD não significa dependência. A frequência de utilização é apenas um indicador entre outros, e não é suficiente por si só para definir uma perturbação.
Um distúrbio por uso de substâncias pode ser identificado por critérios específicos:
- Perda de controlo sobre a quantidade ou frequência do consumo.
- Consequências negativas na vida diária, profissional ou social.
- Uma sensação de impossibilidade de parar, apesar do desejo de o fazer.
- Uma quantidade desproporcional de tempo gasto na aquisição ou no consumo do produto.
O risco real depende menos da regularidade da utilização do que da dose, da via de administração, da presença de THC no produto e do contexto psicológico do consumo. Um sinal de alerta simples: se a interrupção do produto causar ansiedade desproporcional ou sintomas de abstinência, é necessário consultar um profissional de saúde.
Como reduzir os riscos associados ao CBD no dia-a-dia
A escolha do produto tem um impacto maior no risco do que a frequência de utilização. Algumas precauções simples podem ajudar a minimizar surpresas desagradáveis.
- Verifique sempre o Certificado de Análise (COA) emitido por um laboratório independente, que confirma a concentração real de CBD e THC.
- Dar prioridade à agricultura biológica e a uma cadeia de rastreabilidade clara, desde a semente até ao produto final.
- Evite vaporizar produtos de origem incerta, cujos sabores ou solventes nem sempre estão documentados.
- Informe o seu médico sobre qualquer tratamento em curso antes de iniciar o uso regular de CBD.
Dica: antes de avaliar um efeito percebido, suspenda a utilização do produto durante uma semana: se nada mudar, o efeito percebido provavelmente não estava relacionado com o CBD em si.
A Buddha Farm aplica esta abordagem de rastreabilidade desde 2018, com uma seleção de flores e óleos de CBD derivados de cânhamo biológico. Para mais informações sobre os efeitos no sono ou interações com determinados medicamentos, consulte recursos adicionais sobre a biodisponibilidade, que variam de acordo com a via de administração.
Responsabilidade e transparência: a nossa posição sobre o CBD
A questão do vício do CBD merece mais atenção do que alarme. O verdadeiro perigo não reside na molécula em si, mas sim em produtos com rótulos enganadores que circulam sem a devida fiscalização. Cada produto é selecionado pela sua rastreabilidade e conformidade com a legislação francesa, pois é a composição real do produto, e não a sua marca, que determina a sua segurança. No caso de tratamento médico ou utilização prolongada, a orientação de um profissional de saúde continua a ser a melhor opção, muito mais importante do que qualquer alegação de marketing não verificada.
— Fred
Fontes
O relatório da OMS cita a falta de provas de abuso do CBD puro. A ANSES e o Drogues Info Service oferecem a perspetiva francesa sobre os produtos de risco e a composição real dos artigos vendidos.
Este artigo fornece informações gerais e não substitui a consulta médica profissional. Consulte um profissional de saúde qualificado sobre a sua situação específica antes de tomar qualquer medida com base neste conteúdo.
- Revisão do Comité de Peritos em Dependência de Drogas da OMS sobre a canábis
- Atualização dos dados de segurança do canabidiol — ANSM
- Aumento de casos de intoxicação causados por produtos de CBD que contêm outras substâncias — ANSES
- Revisão PubMed/estudos clínicos selecionados
Perguntas frequentes
O CBD causa dependência?
Não, o CBD puro não é reconhecido como aditivo pela OMS, que não identificou qualquer caso de abuso ou dependência associado a esta molécula. O risco está sobretudo relacionado com produtos que contêm THC não declarado ou canabinoides sintéticos, como refere o Drogues Info Service.
Quais os riscos de consumir CBD em excesso?
Em doses elevadas, o CBD pode causar sonolência, problemas digestivos e elevação das enzimas hepáticas, necessitando de monitorização. Aumenta também a concentração plasmática de certos medicamentos através da interação com as enzimas hepáticas, um ponto destacado pela ANSM (Agência Nacional Francesa de Segurança de Medicamentos e Produtos de Saúde).
Quais as desvantagens do CBD?
Os efeitos secundários mais frequentemente relatados continuam a ser fadiga, sonolência e problemas digestivos, que são geralmente reversíveis com a interrupção do uso. Os verdadeiros problemas decorrem, normalmente, de produtos mal controlados, o que a ANSES (Agência Francesa de Segurança Alimentar, Ambiental e do Trabalho) associa ao aumento das intoxicações relacionadas com substâncias não declaradas.
É possível tomar CBD todos os dias?
O uso diário não é, por si só, um sinal de dependência, desde que não seja acompanhado de perda de controlo ou de consequências negativas na vida diária. Continua a ser recomendável escolher um produto rastreável com um nível de THC dentro dos limites permitidos e falar com um médico caso esteja em tratamento.